sábado, 26 de março de 2011

Estadio do Corinthians

Por Navarro

 

Itaquerão: dutos da Transpetro inviabilizam a construção do estádio a tempo de sediar a Copa 2014

O Blog do Navarro havia comentado o texto de Sidney Marques, publicado no Blog do Juca, informando que os dutos no terreno de Itaquera seriam desativados até 2014, resolvendo o impasse para a construção do estádio.

No entanto, este blogueiro não atentou para um pequeno detalhe que não foi observado pelo autor do texto: a desativação dos dutos em 2014 não é suficiente, pois teria que ocorrer antes do início das obras. E é aí que a conta não fecha.
Os dutos de Itaquera -OSVAT/OC24 e o OSVAT 22 – só poderão ser desativados depois que os novos dutos forem construídos, conforme consta no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do PDD (Plano Diretor de Dutos), o que está longe de acontecer.
Etapas da construção dos dutos - RIMA PDD
E a construção dos dutos, por sua vez, leva cerca de 2 anos, conforme também consta no RIMA.
Para piorar, a construção dos dutos não pode começar de imediato, pois são necessárias obter as licenças da obra e pior: fazer diversas desapropriações, algo bastante demorado.
Por esse motivo é que a Petrobrás projeta para 2014 a conclusão da obra: 2 anos para obter licenças e fazer as desapropriações necessárias e 2 anos para construir os novos dutos.
Nesse cenário, é inviável a construção do estádio corintiano a tempo de sediar a Copa. Vamos aos números.
Jerome Valcke afirma que é possível construir um estádio em 24 meses. No entanto, trata-se de um prazo bastante otimista. Na Copa da África do Sul, por exemplo, nenhum estádio conseguiu obedecer à esse prazo – a construção mais rápida levou 33 meses para ficar pronta. E ainda houve estádios que precisaram de 46 meses…
Mas vamos imaginar o cenário otimista de 24 meses como parâmetro para fazer as contas. Considerando que a Copa se inicia em junho de 2014, a obra deve ter início obrigatoriamente em junho de 2012 – ou seja, o Corinthians e a Odebrecht tem 1 ano e meio para levantar o primeiro tijolo do estádio.
E é aí que a coisa complica. Por se tratar de faixa de domínio da Petrobrás, a Lei não permite a realização de nenhuma obra no entorno dos dutos. Ou seja, a construção só poderia começar depois da desativação deles.
Á direita, os dutos da Transpetro que passam pelo terreno de Itaquera
Assim, a Petrobrás teria que construir os novos dutos em um tempo recorde: 1 ano e meio, ao invés dos 4 anos previstos (2 para construção e 2 para licenças e desapropriações) para só então desativar os dutos de Itaquera. Não sei como poderia fazer esse milagre.
A única alternativa seria desviar os dutos de Itaquera às pressas para permitir o início da construção do Itaquerão. No entanto, isso não é simples.
Primeiro, porque leva tempo – e como já foi dito, a obra só começa quando os dutos estiverem desativados. Segundo porque até hoje não se sabe quem bancaria eventual desvio dos dutos. Mesmo que a Petrobrás aceite bancar como a empresa iria justificar o gasto de dezenas de milhões de reais para remanejar dutos que serão desativados?
Não é a toa que a Odebrecht, quando indagada pelo Blog do Ricardo Perrone a respeito da questão, saiu pela tangente, atribuindo a responsabilidade do problema ao Corinthians.
O que mais impressiona é que o COL e o governo paulista estão bancando a abertura da Copa no Itaquerão sem atentar para esse ‘pequeno detalhe’, em um ato de considerável irresponsabilidade.
Por outro lado, ao menos o Ministério Público está bem atento. O Promotor José Carlos de Freitas informou ao Blog do Navarro que oficiou a Petrobrás para obter informações sobre os dutos.
Enfim, o Blog espera que o Poder Público fique atento à questão. É inadmissível que se faça vista grossa à essa situação. O São Paulo, que tinha um projeto realista já equacionado e sem quaisquer problemas dessa magnitude, foi escrachado publicamente pelo COL e pela FIFA. Curiosamente, ambos se calam em relação à situação bem mais grave do Itaquerão (não custa lembrar que, além dos dutos, o estádio também não conseguiu suas garantias financeiras).
Já passou da hora de se reconhecer que o Itaquerão não terá condições de sediar a abertura da Copa e de se providenciar nova solução – o que não é difícil, diante do interesse de Bahia e Brasília, cujos projetos já estão equacionados, em sediar a abertura

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